Beltane marca o momento da Roda do Ano em que celebramos a união, a fertilidade dos laços com a Natureza, e das boas colheitas.
Tradicionalmente comemorado com fogueiras altas e mastros enfeitados com fitas, este encontro simboliza o retorno do Sol e a união das energias masculina e feminina.
Convidamo-lo a celebrar connosco no dia 2 e 3 de maio junto à Fonte Velha em Canha, a abundância, a alegria e a magia desta época do florescer, e o 3º aniversário da Majalis.
Conteúdos
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Programa
2 de maio - Sábado
| Horas | Evento | Local |
|---|---|---|
| 15:00 | Abertura do mercado temático e tavernas | Exterior |
| 15:00 | Oficina de Canto, toque e construção de adufes - CRUA - 1ª Parte (*1) | Tenda do Bardo |
| 16:00 | Coroa de Alma: iniciação à construção de coroas florais decorativas (Inês Prata) | Exterior |
| 18:30 | “La Caña” Sevilhanas e Flamenco (Íris Caldeira) | Tenda do Bardo |
| 19:00 | Atuação do Rancho Folclórico e Etnográfico de São Sebastião D.C. da Freguesia de Canha | Tenda do Bardo |
| 19:30 | Cortejo Rei e Rainha de Maio pelas ruas de Canha | Exterior |
| 20:00 | Cerimónia do Fogo ao pôr do sol (Pardeus e Arraya D’ollos) | Bosque Ancestral |
| 21:00 | Teatro “A luz de Belenos, o Deus Sol” por MagnaCosta | Tenda do Bardo |
| 22:00 | Teatro com Fogo “Almas do Fogo” - Kinessis | Bosque Ancestral |
| 22:30 | Espetáculo de Pirotecnia - Kinessis | Bosque Ancestral |
| 23:00 | Fogo - Malatitsch | Bosque Ancestral |
| 24:00 | Encerramento das festividades | Exterior |
3 de maio - Domingo
| Horas | Evento | Local |
|---|---|---|
| 10:00 | Abertura do mercado temático e tavernas | Exterior |
| 10:00 | “Cores Selvagens”: pequena caminhada e workshop (Alexandre Correia e Diogo Gomes) (*1) | Exterior |
| 10:00 | CRUA: Oficina de Canto, toque e construção de adufes, 2ª Parte (*1) | Tenda do Bardo |
| 11:00 | Coroa de Alma: iniciação à construção de coroas florais decorativas (Inês Prata) | Exterior |
| 15:00 | NonStop Crew (Joana Maia) | Tenda do Bardo |
| 16:00 | CRUA: Espetáculo de Adufes | Tenda do Bardo |
| 17:00 | Orquestra de Concertinas Sinfonias (Prof.ª Lucília Castanheiro) | Tenda do Bardo |
| 18:00 | Oficina Teatral “As Crianças são o nosso futuro” - Kinessis | Bosque Ancestral |
| 19:00 | As Celtaídas - Jogos Tradicionais de Caráter Popular | Exterior |
| 20:30 | Celebração do Aniversário da Majalis | Tenda do Bardo |
| 21:00 | Fogo - Malatitsch | Bosque Ancestral |
| 22:00 | Encerramento das festividades | Exterior |
*1: Requer inscrição prévia: veja Bilheteira Online acima para comprar bilhetes.
Workshops e Actividades
A Festa da Lua Mãe irá contar com vários workshops e atividades. Descubra em baixo mais detalhes sobre cada um.
CRUA - Oficina de canto, toque e construção de adufes
Oficinas de canto e toque de adufe
De carácter lúdico e artístico, com enfoque em ritmos tradicionais, na partilha de repertório ibérico e no diálogo entre voz e instrumento.
Oficinas de construção de adufes
Processo de construção do adufe desde os aros de madeira à costura da pele e os seus adornos.
Espetáculo de Adufes
Atuação do grupo CRUA com adufes, vozes e outras percussões.
Informações sobre as oficinas
- Dia 2 de maio (1ª Parte): início às 15h.
- Dia 3 de maio (2ª Parte): início às 10h.
- Custo: 20€ e pode levar o seu adufe para casa
- Duração: 2 horas cada dia
- Limite de Participantes: 20
Cores Selvagens
Caminhada com Workshop
A atividade começará com uma pequena caminhada guiada por um percurso predeterminado, onde os participantes serão encorajados a interagir com o habitat envolvente. Nesta caminhada, irão ser demonstradas técnicas de recolha de espécimes de plantas sem danificar a planta extensivamente ou de forma que a planta consiga recuperar de forma eficaz. Na presença de plantas invasoras como acácias, alguns métodos de controlo serão também demonstrados. Também será encorajado aos participantes uma discussão sobre o habitat e interações existentes entre os diferentes organismos do ecossistema. A caminhada terá um tempo expectável de 30 minutos.
Produção de tintas naturais e experimentação com as tintas produzidas
A seguinte, mais extensa, fase da atividade consistirá na demonstração de como se produz as tintas e como elas se comportam em contacto com o papel. As Tintas que envolvem mais tempo de preparação irão ser produzidas a priori para serem usadas pelos participantes. Durante a fase de produção e utilização das tintas serão dados conhecimentos sobre a história destas plantas (quando foram usadas e introduzidas no contexto da história humana), a importância das plantas e conceitos importantes sobre a ecologia e pigmentação de cada espécie. O workshop de produção e experimentação com as tintas terá uma duração expectável de 1 hora e meia.
Informações
- Dia 3 de maio: início às 10h
- Custo: 5€
- Duração: 2h
- Limite de Participantes: 30
- Workshop orientado por Diogo Gomes e Alexandre Correia
Coroa de Alma
Venha aprender a fazer coroas de flores com a Inês Prata.
Informações
- Dia 2 de maio: início às 16h.
- Dia 3 de maio: início às 11h.
- Custo: 1€ para quem trouxer material (flores, ramos, heras, etc.)
- Duração: o dia todo
- Limite de Participantes: aberto a todos.
Malatitsch
A forte presença deste grupo de artes performativas, já de todos conhecido, faz-nos ingressar no mundo do fantástico e da mitologia. Através da fusão entre acrobacia, manipulação de fogo, máscaras e música ao vivo, assim a Malatitsch invoca o corpo como veículo de memória e transformação.
Kinessis
Almas de Fogo - Teatro com Fogo
Performance teatral onde as artes circenses, a magia, e o fogo dão vida a duas pequenas chamas.
Oficina Teatral para Crianças
“A luz de Belenos, o Deus Sol” - Teatro por MagnaCosta
Uma peça de teatro por MagnaCosta, sobre Belenus, o deus celta do sol e do fogo, relacionado com festividades de Beltane.
Cerimónia do Fogo ao Pôr-do-Sol
Espetáculos de música de rua associada ao misticísmo, com os grupos Pardeus e Arraya D’Ollos.
Celtaídas - Jogos Tradicionais de Caráter Popular
Conjunto de jogos tradicionais de carácter popular, cuja origem se perde na memória dos tempos, remontando às culturas celtas e celtibéricas.
Estas provas de perícia e destreza recorrem a utensílios simples do quotidiano, desafiando os participantes a competir entre si com agilidade, engenho e controlo físico. Utilizando paus, varapaus, troncos e cordas, cada concorrente procura demonstrar as suas capacidades físicas e a sua criatividade, com o objetivo de superar os desafios propostos.
Informações
- Dia 3 de maio: início às 19h.
“La Caña” Sevilhanas e Flamenco
LA CAÑA é um grupo jovem e cheio de ambição, empenhando-se com esforço e dedicação na aprendizagem do flamenco desde a sua fundação, em 2009. É orientado pela Prof.ª Íris Caldeira desde 2013 e atualmente tem a sua sede na Sociedade Recreativa e Cultural das Taipadas.
NonStop Crew com Joana Maia
Grupo de dança de Hip Hop e danças de rua. Professora e coreógrafa: Joana Maia
Rancho Folclórico e Etnográfico de São Sebastião D.C. da Freguesia de Canha
Fundado em 25 de janeiro de 2014 na Santa Casa da Misericórida de Canha, reúne cantares, danças e tradições ancestrais da região.
Orquestra de Concertinas Sinfonias
Dirigidos pela Prof.ª Lucília Castanheiro, pertencem ao grupo Sinfonias & Eventos Escola de Artes do Montijo.
Como chegar
Mapa
Transportes Públicos
Para quem vem do Montijo:
Para quem vem de Lisboa:
- Apanhar comboio () até à estação de Vendas-Novas
- Ir de autocarro de Vendas-Novas a Canha:
Recomenda-se verificar os horários antes de partir.
Contexto Histórico da Beltane
Vamos viajar no tempo e festejar as tradições ancestrais dos Celtas, com a celebração de Beltane, quando o fogo e a lua eram celebrados num ritual de ligação à terra e aos ciclos da natureza.
O que é Beltane?
Beltane era uma das festividades sazonais mais importantes do calendário Celta, assinalando a transição para a metade luminosa do ano. Celebrada tradicionalmente no início de maio, marcava o apogeu da fertilidade da terra, o florescimento da natureza e o início do período de abundância. Situava-se entre o equinócio da Primavera e o solstício de Verão, funcionando como um ponto de equilíbrio entre crescimento e plenitude.
Para os povos celtas, este era um tempo de celebração profunda da vida e da energia vital que percorre todas as coisas. Uma celebração da ligação entre o humano e o natural, e um verdadeiro limiar, onde o mundo visível e o invisível se aproximavam.
Um convite a viver em harmonia com o pulsar da Terra.
O Fogo de Beltane
Os rituais associados a Beltane estavam profundamente ligados ao fogo, considerado um elemento purificador e vital.
As fogueiras de Beltane elevavam-se como símbolos vivos dessa energia criadora. Saltar as chamas das fogueiras ou atravessar os seus limites era um gesto simbólico de celebração da vida, e a união entre os humanos, a natureza e o sagrado, invocando a proteção e abundância da Terra. Um gesto de confiança na continuidade da vida, num diálogo íntimo com as forças da natureza.
Os Celtas e a Lua
Para os Celtas, a Lua não era apenas um astro no céu, mas uma presença viva, silenciosa e orientadora. A sua luz suave marcava o tempo, guiava as colheitas e acompanhava os ritmos da comunidade. Observar a Lua era aprender a escutar a natureza e a reconhecer que tudo se move em ciclos.
Esta relação profunda com a Lua refletia uma sabedoria ancestral baseada na observação e no respeito pela natureza e pelos ritmos da vida.
Uma herança que convida, ainda hoje, à desaceleração e à consciência do tempo natural.
A Lua era considerada um símbolo de ligação profunda à natureza e ao sagrado, que convida à escuta interior e ao respeito pelos mistérios da vida e os seus processos: nascimento, crescimento, declínio e renascimento. Esta visão cíclica oferecia orientação e sentido, lembrando que cada fase tem um propósito e que a transformação é parte integrante da ordem natural.
Para os Celtas, viver em harmonia com a Lua era uma forma de alinhar a comunidade humana com as forças invisíveis que sustentavam o equilíbrio do mundo.
A Lua Mãe
Os Celtas chamavam à lua cheia de maio a “Lua Mãe”, o período de Beltane, que representava o auge da fertilidade, criatividade e abundância da natureza, o momento em que a natureza é mais maternal, acolhedora e fértil, cuidando do crescimento da vida que recomeçou na primavera.
Na tradição Celta, a Lua era compreendida como uma manifestação do princípio materno e protetor que sustém o ciclo da vida e da existência, um símbolo de ligação profunda à natureza e ao sagrado. Associada à fertilidade, à transformação e à renovação, significava a sabedoria ancestral que nasce da experiência do tempo.
A chamada Lua Mãe de maio representava o aspeto nutridor e cíclico do sagrado feminino, a mãe, guardiã dos mistérios da vida, da transformação e do renascimento.
A presença Celta na Península Ibérica
Os Celtas foram povos da antiguidade que habitaram a Europa Central, Irlanda e as Ilhas Britânicas, durante a Idade do bronze e a Idade do Ferro, séculos antes de Cristo.
Na Península Ibérica, a presença Celta é atestada desde, pelo menos, o século VIII A.C. As várias vagas de migrações Celtas resultaram na convivência e fusão com os povos locais, designados por Iberos, integrando um processo de fusão cultural, que deu origem ao povo designado por Celtiberos.
Estas comunidades destacavam-se pela economia agro-pastoril, pela organização em castros fortificados, pelo uso do ferro e por práticas religiosas ligadas à natureza.
A influência Celta na Península Ibérica deixou marcas duradouras, visíveis na toponímia, em elementos linguísticos, em tradições culturais e em vestígios arqueológicos. Sendo estes povos progressivamente integrados ou assimilados pela cultura da Civilização Romana, a sua herança cultural e simbólica prevaleceu até aos nossos tempos.


















